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Terça, 07 Julho 2015 00:00

Mitos e verdades sobre lesões do corredor

Reproduzido na íntegra em: O Globo

Nos últimos anos, a corrida de rua se tornou mais que um esporte, tornou-se um estilo de vida. Com uma população estinada de quatro milhões de corredores, o Brasil aparece como o segundo maior mercado mundial em número de participantes. Com uma taxa de crescimento anual em torno de 20% (FIA/USP), o cenário se torna bem promissor para os próximos anos. Entretanto, as informações e condutas adotadas pelos corredores não vêm sendo pautadas em evidências científicas. Muitos corredores tomam como base informações oriundas das redes sociais, blogs e opiniões de outros corredores. O que geralmente resulta na criação de mitos, pois não existe controle referente à veracidade das informações que são publicadas nas redes sociais.

As lesões podem ocorrer de forma aguda (com algum tipo de trauma ou queda) ou crônica (aos poucos com o aparecimento de uma dor leve e que aumenta com o tempo, também chamada de lesão por overuse. Esta segunda classificação pode ser definida como o resultado de micro traumas repetitivos nos tecidos moles como tendões, ossos, ligamentos e articulações, sem que ocorra o devido período de descanso. Dessa forma, o esforço inicial que era submáximo, tende a ser cada vez mais próximo do máximo, aumentando seu potencial lesivo. Então, quais são as lesões mais frequentes do corredor?  

Este tema tem grande relevância no mundo dos corredores, entretanto, o que realmente temos de evidências científicas para proferir afirmações a respeito de fatores de risco e incidência dessas lesões? 

Em 2014, Reed Ferber e Shari Macdonald, dois dos pesquisadores mais respeitados no cenário internacional a respeito de lesões musculoesqueléticas na corrida, publicaram um livro baseado em evidências científicas e em seu capítulo a respeito da incidência de lesões na corrida, comentam que a literatura mostra que mais 90% dos corredores já se lesionaram ou irão se lesionar. Um dos estudos citados neste livro analisou mais de dois mil corredores e observaram que 42% das lesões estavam relacionadas a articulação do joelho e 22% estavam relacionadas a articulações acima do joelho.

As principais lesões apresentadas foram Síndrome da dor Fêmoro-patelar (16,5 %), Síndrome da Banda Íliotibial (8,4 %), Fascite Plantar (7,4 %), e Síndrome do estresse Tibial (5 %), entre outras.

Isto mostra a necessidade dos profissionais de educação física atentar seus alunos e atletas para estas informações, a fim de expor que as lesões são mais comuns do que eles pensam e que correr não é uma atividade que pode ser realizada sem a orientação de um especialista. Por isso, ao longo deste texto, dissertaremos a respeito dos fatores de risco que hoje são conhecidos e confirmados pela literatura científica, assim como aqueles que são conhecidos, apesar de não possuírem evidências suficientes para suportar essa afirmação.

Quais os fatores de risco para uma lesão musculoesquelética? Os fatores de risco podem ser divididos principalmente em duas categorias: intrínsecos e extrínsecos. O primeiro é determinado por características oriundas do próprio corpo do praticante da corrida, enquanto que o segundo é gerado por alguma interferência externa.

Quando se trata de fatores intrínsecos, o fato de possuir um histórico de lesões, sejam elas relacionadas ou não relacionadas com a corrida, é o principal fator de risco para novas lesões. Isto é justificado na literatura porque ao se lesionar, se a recuperação da mesma não for feita de forma correta, é possível que esta lesão tenha deixado alguma forma de déficit estrutural ou biomecânico no indivíduo lesionado e, dessa forma, possíveis compensações podem ocorrer e sobrecarregar, com o tempo, outras estruturas íntegras.

Outros fatores intrínsecos que são encontrados na literatura são: índice de massa corporal elevado, gênero feminino (devido a alterações estruturais principalmente na região da bacia), idade superior a 45 anos corredores iniciantes e não respeitar os limites do próprio corpo.

O fator de risco extrínseco mais evidente na literatura tem relação com erros na prescrição do treinamento, como: acréscimo excessivo de volume, frequência semanal de treinos desregulada e intensidade média do treino. 

Depois que abordamos o assunto a respeito do que são as “lesões do corredor”, é relevante entender o quanto essas lesões estão presentes no dia a dia dos praticantes da corrida. Segundo o estudo “Incidence of Running-Related Injuries Per 1000h of running in Different Types of Runners: A Systematic Review and Meta-Analysis” , publicado, em maio de 2015, na prestigiada revista científica "Sports Medicine", a cada mil horas de corrida, praticantes iniciantes apresentam uma incidência média de 17,8 lesões podendo chegar a ter mais de 30. Enquanto que para corredores recreacionais (que possuíam de 6 a 12 meses de prática em corrida) esta taxa foi de aproximadamente 7,7 lesões por cada mil horas de corrida chegando a 12.1. Esta diferença é explicada pelos autores como uma limitação do estudo devido ao fato de que não há um padrão no tempo de acompanhamento desses corredores e dependendo do tempo de acompanhamento, os corredores iniciantes se tornariam corredores recreacionais. 

Traduzindo isso para a prática, considere um corredor intermediário que possui um volume médio de treinamento 40km semanais. Em um ano, ele correrá aproximadamente 2.080km (40km x 52 semanas). Considerando um pace de 5m30s/km, ele correrá 191 horas por ano. De acordo com a incidência apresentada acima (7,7 a 12,1 lesões a cada mil/horas), podemos estimar que, a cada dois anos, o corredor pode apresentar, pelo menos, de três a quatro lesões que o deixarão impossibilitados de praticar a corrida, terão um custo acentuado de cuidados médicos e fisioterapia e ainda aumentarão o risco de novas lesões.

Analisando os achados dos autores, outro pensamento pode ser abordado. Por serem corredores iniciantes, não estão acostumados a saber os limites do próprio corpo. Fato que foi abordado no artigo escrito pelo grupo do professor Alexandre Dias Lopes, do São Paulo Running Injury Group, ("What do recreational runners think about risk factors for running injuries? A descriptive study of their beliefs and opinions"). Neste estudo foram entrevistados 95 corredores (65 homens e 30 mulheres), com média de cinco anos e meio de prática em corrida, sendo que 45% destes relataram terem tido algum tipo de lesão prévia. Os autores identificaram que para os próprios corredores, o fato de não respeitar os próprios limites seria um fator de risco para se lesionar. Dessa forma, é possível que. principalmente os corredores iniciantes. extrapolem em seus treinamentos e com isso, aumentam seus riscos de se lesionar.

Neste mesmo estudo, observou-se que para os praticantes de corrida, o fato de não alongar antes do treino também pode ser um fator de risco para lesões. No entanto, observa-se na literatura diversos estudos científicos que evidenciam que alongar antes ou depois do exercício físico não atenua o risco de lesões. Uma explicação para isso pode ser o fato de que corredores confundem o alongamento com um aquecimento pré-treino por exemplo. Outra explicação é que corredores pensem que o alongamento possui um efeito benéfico para diminuir a dor muscular tardia pós exercício. Dessa forma é papel do profissional de educação física informar aos seus alunos os reais efeitos do alongamento.

No entanto, nem todos os pensamentos dos praticantes de corrida estão equivocados. Eles também mencionaram a falta de força, excesso de treinamento e utilização do tênis equivocado como fatores de risco para lesão. Estes três fatores são embasados em evidências científicas que se realmente o indivíduo utilizar um tênis inapropriado, exceder a carga de treinamento ideal e/ou possuir algum tipo de fraqueza muscular nas pernas ou na região do tronco, este indivíduo estará exposto a um risco aumentado de se lesionar. 

O que podemos observar depois de toda essa análise a respeito de lesões na corrida, pensamentos dos corredores e pesquisas científicas? 

- A incidência de lesões musculoesqueléticas em corredores é altíssima.

- Os fatores de risco mais relevantes podem ser evitados com bons planejamentos de treino e respeito dos próprios limites.

- É necessário o acompanhamento de profissionais de educação física qualificados e atualizados a respeito de que variáveis irão interferir no desempenho de seus alunos/ atletas.

- Caso ocorra uma lesão, é extremamente importante que o período de recuperação desta lesão seja respeitado e que não exista nenhum tipo de sequela ou compensação biomecânica para que o praticante volte a realizar a atividade.

Fonte: O Globo

Depoimentos

  • Paulo da Silva

    A equipe da biocinética me foi muito importante na recuperação de uma lesão de ligamento que tive ao jogar futebol. Se não fosse pelo profissionalismo deste pessoal, não sei nem se teria voltado a praticar o esporte!  Saiba Mais
  • Margareth dos Santos

    A ajuda que o pessoal da Biocinética me deu, em termos de melhoria na qualidade do meu treino, fez toda a diferença no meu desenvolvimento como atleta. Recomendo a todos que estão em busca de uma equipe séria e comprometida com a qualidade física do cliente! Saiba Mais
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